Tiros e Correria no Plenário do Senado Agitam as Páginas dos Jornais

  • Que tiro, que correria? Não vi nada, não li nada, o que foi que aconteceu?
  • Poderia ter sido ontem ou hoje, mas, aconteceu lá na década de 1960.
  • É mesmo?
  • Foi isso mesmo.  Naquele tempo Senador não escutava estória no ouvido e resolvia nas vias de fato.
  • Então conta como aconteceu.

Presta atenção:

  • Deixa eu tomar um gole de café, ele (o café) está caro e não vou desperdiçar.

*Nota do autor, esse dialogo entre dois amigos aconteceu em um café em Brasília no mês de março de 2025.

Vamos então aos fatos amplamente divulgados pelos jornais diários que circulavam em terras Brasileiras.

A briga entre os Senadores Silvestre Péricles e Arnon de Mello já se arrastava a mais ou menos uma década, desde 1950.

  • Pera ai ! eu já ouvir falar desse sobrenome “Mello”
  • Deve mesmo: O Senador Arnon é pai do ex Presidente Fernando Color de Mello, mas, essa é outra história, fica para depois.
  • Voltando: O senador Silvestre perdeu as eleições Estaduais em Alagoas para o Senador Arnon, foi uma disputa acirrada de inimigos políticos declarados e sempre com provocações e ameaças. O agora Governador de Alagoas Arnon de Mello cumpriu o seu mandato e logo após se elegeu Senador.

Ele tomou posse como Senador em Brasília em 1963, e uma reportagem publicada na Revista Manchete que tinha circulação nacional afirmou que os familiares do Senador Arnon compareceram todos “armados” na cerimonia em Brasília, já receosos com as provocações e atitudes do Senador Silvestre que já estava na casa.

O senador Silvestre afirmava que o novo empossado Senador Arnon não deveria subir na tribuna da casa para discursar e muito menos difamar o seu nome, como lembrança das campanhas eleitorais ocorridas anteriormente.

A posse aconteceu no começo do ano de 1963, e no final do ano, em 4 de dezembro as provocações ficaram ainda mais violentas e agitadas. O senador Arnon tomou a decisão e marcou a sua presença na tribuna.

Existem reportagens de arquivo no jornais da época, olha aqui e da uma consultada depois…

Policiais Legislativos Federais (na época ainda denominados seguranças do Senado) conduzindo os envolvidos

Jornais O Globo, Folha de São Paulo, Ultima Hora.

Vamos voltar na tribuna quando o Senador Arnon começava o seu pronunciamento. Arnon de Melo pediu licença para direcionar sua fala “ao nobre senador Silvestre Péricles”, que o teria “ameaçado de morte”. Silvestre então gritou: “Canalha! Crápula! Cafajeste!”, “Maricas”.

Nesse momento Silvestre já estava em pé, com a arma que trazia por baixo do paletó, rapidamente sacou e no momento que se preparava para atirar, o Senador Arnon foi mais rápido e disparou 2 ou 3 tiros, ainda existe duvidas de quantos tiros foram efetuados

  • As testemunhas aquelas poucas que relataram os fatos aos jornalistas da época disseram que a mão do Senador Arnon tremia durante os disparos, era uma pistola .45, e durante os disparos todo mundo no plenário se abaixou, o Senador Silvestre se jogou no chão e rolou, com um revólver na mão pronto para revidar ao estilo velho oeste.

O senador Kairala, que era suplente e não tinha noção do perigo que corria, se manteve sentado, sendo atingido no peito pelos tiros, ele não teve tempo de se proteger do perigo
A turma do deixa disso segurou Arnon e Silvestre, que foram presos e retirados do plenário pelos seguranças do Senado. Arnon foi levado para o quartel da Aeronáutica e Silvestre para o QG do Exército. Enquanto Kairala seguia ferido para o Hospital Distrital.

  • Hospital Distrital?
  • É o Hospital de base, na época era o Distrital.
  • Pede mais um café ai, e você paga agora!
  • Tá bom…

O Senador Kairala era suplente do Senador General José Guiomard, que iria retornar a cadeira, e estava participando da sua última sessão antes de entregar o cargo. Ele chegou ao Distrital entre a vida e a morte. Faleceu no dia seguinte.

  • Olha a foto dele e do Senador Silvestre

Senador Kairala.

Senador Silvestre

O presidente do Senado na época era o Moura Andrade, sabia desse ódio entre os dois e procurou evitar que eles chegassem às vias de fato em Brasília, mas , os esforços foram em vão.

  • Depois desses tiros o que aconteceu com os Senadores?
  • Basicamente nada!
  • Caso arquivado, talvez para evitar mais repercussões…

Os historiadores da época afirmam que o crime praticado por Arnon aconteceu três meses antes do início do regime militar em 1964 – do qual o pai de Fernando Collor foi um dos principais representantes em Alagoas – tratou de abafar o caso. A imprensa local e nacional, por força do corporativismo, também deu o caso por encerrado, ai ninguém foi punido.

Alguns livros foram escritos sobre o episodio, alguns foram publicados…

O então presidente do Senado escreveu anos depois, em seu livro “Um Congresso contra o Arbítrio”, publicado pela Nova Fronteira, que depois daquele dia ficou com medo. Temia a transformação do Senado em um cenário “do mais despudorado cangaço”.

ARENA DE SANGUE eBooks Kindle: ARENA DE SANGUE, Oliveira, Jorge

Esse exemplar também revela mais informações, vale consultar.

Outros livros sobre o tema não foram publicados, e até hoje a família “Mello” não comenta os fatos.

Depois de 62 anos os fatos ainda parecem meios sombrios.

  • Esse disparo de tiros no Congresso não foi o primeiro!
  • Já teve outro?
  • Teve!
  • Paga esse café, tenho que ir, mas, combinamos e eu conto sobre esse fato também.

Publicado em: 17/03/25

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Privado: Tiros e Correria no Plenário do Senado Agitam as Páginas dos Jornais

  • Que tiro, que correria? Não vi nada, não li nada, o que foi que aconteceu?
  • Poderia ter sido ontem ou hoje, mas, aconteceu lá na década de 1960.
  • É mesmo?
  • Foi isso mesmo.  Naquele tempo Senador não escutava estória no ouvido e resolvia nas vias de fato.
  • Então conta como aconteceu.

Presta atenção:

  • Deixa eu tomar um gole de café, ele (o café) está caro e não vou desperdiçar.

*Nota do autor, esse dialogo entre dois amigos aconteceu em um café em Brasília no mês de março de 2025.

Vamos então aos fatos amplamente divulgados pelos jornais diários que circulavam em terras Brasileiras.

A briga entre os Senadores Silvestre Péricles e Arnon de Mello já se arrastava a mais ou menos uma década, desde 1950.

  • Pera ai ! eu já ouvir falar desse sobrenome “Mello”
  • Deve mesmo: O Senador Arnon é pai do ex Presidente Fernando Color de Mello, mas, essa é outra história, fica para depois.
  • Voltando: O senador Silvestre perdeu as eleições Estaduais em Alagoas para o Senador Arnon, foi uma disputa acirrada de inimigos políticos declarados e sempre com provocações e ameaças. O agora Governador de Alagoas Arnon de Mello cumpriu o seu mandato e logo após se elegeu Senador.

Ele tomou posse como Senador em Brasília em 1963, e uma reportagem publicada na Revista Manchete que tinha circulação nacional afirmou que os familiares do Senador Arnon compareceram todos “armados” na cerimonia em Brasília, já receosos com as provocações e atitudes do Senador Silvestre que já estava na casa.

O senador Silvestre afirmava que o novo empossado Senador Arnon não deveria subir na tribuna da casa para discursar e muito menos difamar o seu nome, como lembrança das campanhas eleitorais ocorridas anteriormente.

A posse aconteceu no começo do ano de 1963, e no final do ano, em 4 de dezembro as provocações ficaram ainda mais violentas e agitadas. O senador Arnon tomou a decisão e marcou a sua presença na tribuna.

Existem reportagens de arquivo no jornais da época, olha aqui e da uma consultada depois…

Policiais Legislativos Federais (na época ainda denominados seguranças do Senado) conduzindo os envolvidos

Jornais O Globo, Folha de São Paulo, Ultima Hora.

Vamos voltar na tribuna quando o Senador Arnon começava o seu pronunciamento. Arnon de Melo pediu licença para direcionar sua fala “ao nobre senador Silvestre Péricles”, que o teria “ameaçado de morte”. Silvestre então gritou: “Canalha! Crápula! Cafajeste!”, “Maricas”.

Nesse momento Silvestre já estava em pé, com a arma que trazia por baixo do paletó, rapidamente sacou e no momento que se preparava para atirar, o Senador Arnon foi mais rápido e disparou 2 ou 3 tiros, ainda existe duvidas de quantos tiros foram efetuados

  • As testemunhas aquelas poucas que relataram os fatos aos jornalistas da época disseram que a mão do Senador Arnon tremia durante os disparos, era uma pistola .45, e durante os disparos todo mundo no plenário se abaixou, o Senador Silvestre se jogou no chão e rolou, com um revólver na mão pronto para revidar ao estilo velho oeste.

O senador Kairala, que era suplente e não tinha noção do perigo que corria, se manteve sentado, sendo atingido no peito pelos tiros, ele não teve tempo de se proteger do perigo
A turma do deixa disso segurou Arnon e Silvestre, que foram presos e retirados do plenário pelos seguranças do Senado. Arnon foi levado para o quartel da Aeronáutica e Silvestre para o QG do Exército. Enquanto Kairala seguia ferido para o Hospital Distrital.

  • Hospital Distrital?
  • É o Hospital de base, na época era o Distrital.
  • Pede mais um café ai, e você paga agora!
  • Tá bom…

O Senador Kairala era suplente do Senador General José Guiomard, que iria retornar a cadeira, e estava participando da sua última sessão antes de entregar o cargo. Ele chegou ao Distrital entre a vida e a morte. Faleceu no dia seguinte.

  • Olha a foto dele e do Senador Silvestre

Senador Kairala.

Senador Silvestre

O presidente do Senado na época era o Moura Andrade, sabia desse ódio entre os dois e procurou evitar que eles chegassem às vias de fato em Brasília, mas , os esforços foram em vão.

  • Depois desses tiros o que aconteceu com os Senadores?
  • Basicamente nada!
  • Caso arquivado, talvez para evitar mais repercussões…

Os historiadores da época afirmam que o crime praticado por Arnon aconteceu três meses antes do início do regime militar em 1964 – do qual o pai de Fernando Collor foi um dos principais representantes em Alagoas – tratou de abafar o caso. A imprensa local e nacional, por força do corporativismo, também deu o caso por encerrado, ai ninguém foi punido.

Alguns livros foram escritos sobre o episodio, alguns foram publicados…

O então presidente do Senado escreveu anos depois, em seu livro “Um Congresso contra o Arbítrio”, publicado pela Nova Fronteira, que depois daquele dia ficou com medo. Temia a transformação do Senado em um cenário “do mais despudorado cangaço”.

ARENA DE SANGUE eBooks Kindle: ARENA DE SANGUE, Oliveira, Jorge

Esse exemplar também revela mais informações, vale consultar.

Outros livros sobre o tema não foram publicados, e até hoje a família “Mello” não comenta os fatos.

Depois de 62 anos os fatos ainda parecem meios sombrios.

  • Esse disparo de tiros no Congresso não foi o primeiro!
  • Já teve outro?
  • Teve!
  • Paga esse café, tenho que ir, mas, combinamos e eu conto sobre esse fato também.

Publicado em: 17/03/25